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5 de dez. de 2013

"Cuidado com os burros motivados"

Observador contumaz das manias humanas, Roberto Shinyashiki está cansado dos jogos de aparência que tomaram conta das corporações e das famílias. Nas entrevistas de emprego, por exemplo, os candidatos repetem o que imaginam que deve ser dito. Num teatro constante, são todos felizes, motivados, corretos, embora muitas vezes pequem na competência. Dizem-se perfeccionistas: ninguém comete falhas, ninguém erra. Como Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa) em Poema em linha reta, o psiquiatra não compartilha da síndrome de super-heróis. “Nunca conheci quem tivesse levado porrada na vida (...) Toda a gente que eu conheço e que fala comigo nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, nunca foi senão príncipe”, dizem os versos que o inspiraram a escrever Heróis de verdade. Farto de semideuses, Roberto Shinyashiki faz soar seu alerta por uma mudança de atitude. “O mundo precisa de pessoas mais simples e verdadeiras.”

Istoé - Quem são os heróis de verdade?
 
Roberto Shinyashiki:
 
Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado, viajar de primeira classe. O mundo define que poucas pessoas deram certo. Isso é uma loucura. Para cada diretor de empresa, há milhares de funcionários que não chegaram a ser gerentes. E essas pessoas são tratadas como uma multidão de fracassados. Quando olha para a própria vida, a maioria se convence de que não valeu a pena porque não conseguiu ter o carro nem a casa maravilhosa. Para mim, é importante que o filho da moça que trabalha na minha casa possa se orgulhar da mãe. O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes. Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros. São pessoas que sabem pedir desculpas e admitir que erraram.

Istoé - O sr. citaria exemplos?
 
Roberto Shinyashiki:
 
Dona Zilda Arns, que não vai a determinados programas de tevê nem aparece de Cartier, mas está salvando milhões de pessoas. Quando eu nasci, minha mãe era empregada doméstica e meu pai, órfão aos sete anos, empregado em uma farmácia. Morávamos em um bairro miserável em São Vicente (SP) chamado Vila Margarida. Eles são meus heróis. Conseguiram criar seus quatro filhos, que hoje estão bem. Acho lindo quando o Cafu põe uma camisa em que está escrito “100% Jardim Irene”. É pena que a maior parte das pessoas esconda suas raízes. O resultado é um mundo vítima da depressão, doença que acomete hoje 10% da população americana. Em países como Japão, Suécia e Noruega, há mais suicídio do que homicídio. Por que tanta gente se mata? Parte da culpa está na depressão das aparências, que acomete a mulher que, embora não ame mais o marido, mantém o casamento, ou o homem que passa décadas em um emprego que não o faz se sentir realizado, mas o faz se sentir seguro.

Istoé - Qual o resultado disso?  
 
Roberto Shinyashiki:
 
Paranoia e depressão cada vez mais precoces. O pai quer preparar o filho para o futuro e mete o menino em aulas de inglês, informática e mandarim. Aos nove ou dez anos a depressão aparece. A única coisa que prepara uma criança para o futuro é ela poder ser criança. Com a desculpa de prepará-los para o futuro, os malucos dos pais estão roubando a infância dos filhos. Essas crianças serão adultos inseguros e terão discursos hipócritas. Aliás, a hipocrisia já predomina no mundo corporativo.

Istoé - Por quê?
 
Roberto Shinyashiki:
 
O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta, a começar pelo processo de recrutamento. É contratado o sujeito com mais marketing pessoal. As corporações valorizam mais a auto-estima do que a competência. Sou presidente da Editora Gente e entrevistei uma moça que respondia todas as minhas perguntas com uma ou duas palavras. Disse que ela não parecia demonstrar interesse. Ela me respondeu estar muito interessada, mas, como falava pouco, pediu que eu pesasse o desempenho dela, e não a conversa. Até porque ela era candidata a um emprego na contabilidade, e não de relações públicas. Contratei na hora. Num processo clássico de seleção, ela não passaria da primeira etapa.

Istoé - Há um script estabelecido?
 
Roberto Shinyashiki:
 
Sim. Quer ver uma pergunta estúpida feita por um presidente de multinacional no programa O aprendiz? “Qual é seu defeito?” Todos respondem que o defeito é não pensar na vida pessoal: “Eu mergulho de cabeça na empresa. Preciso aprender a relaxar.” É exatamente o que o chefe quer escutar. Por que você acha que nunca alguém respondeu ser desorganizado ou esquecido? É contratado quem é bom em conversar, em fingir. Da mesma forma, na maioria das vezes, são promovidos aqueles que fazem o jogo do poder. O vice-presidente de uma das maiores empresas do planeta me disse: “Sabe, Roberto, ninguém chega à vice-presidência sem mentir.” Isso significa que quem fala a verdade não chega a diretor?

Istoé - Temos um modelo de gestão que premia pessoas mal preparadas?
 
Roberto Shinyashiki:
 
Ele cria pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e não se preocupam com o conhecimento. Muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problema no Brasil é competência. Cuidado com os burros motivados. Há muita gente motivada fazendo besteira. Não adianta você assumir uma função para a qual não está preparado. Fui cirurgião e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na minha mão. Mas tenho a humildade de reconhecer que isso nunca aconteceu graças a meus chefes, que foram sábios em não me dar um caso para o qual eu não estava preparado. Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia. O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso.

Istoé - Está sobrando autoestima?
 
Roberto Shinyashiki:
 
Falta às pessoas a verdadeira autoestima. Se eu preciso que os outros digam que sou o melhor, minha autoestima está baixa. Antes, o ter conseguia substituir o ser. O cara mal-educado dava uma gorjeta alta para conquistar o respeito do garçom. Hoje, como as pessoas não conseguem nem ser nem ter, o objetivo de vida se tornou parecer. As pessoas parece que sabem, parece que fazem, parece que acreditam. E poucos são humildes para confessar que não sabem. Há muitas mulheres solitárias no Brasil que preferem dizer que é melhor assim. Embora a autoestima esteja baixa, fazem pose de que está tudo bem.

Istoé - Por que nos deixamos levar por essa necessidade de sermos perfeitos em tudo e de valorizar a aparência?
 
Roberto Shinyashiki:
 
Isso vem do vazio que sentimos. A gente continua valorizando os heróis. Quem vai salvar o Brasil? O Lula. Quem vai salvar o time? O técnico. Quem vai salvar meu casamento? O terapeuta. O problema é que eles não vão salvar nada! Tive um professor de filosofia que dizia: “Quando você quiser entender a essência do ser humano, imagine a rainha Elizabeth com uma crise de diarreia durante um jantar no Palácio de Buckingham.” Pode parecer incrível, mas a rainha Elizabeth também tem diarreia. Ela certamente já teve dor de dente, já chorou de tristeza, já fez coisas que não deram certo. A gente tem de parar de procurar super-heróis. Porque se o super-herói não segura a onda, todo mundo o considera um fracassado.

Istoé - O conceito muda quando a expectativa não se comprova?
 
Roberto Shinyashiki:
 
Exatamente. A gente não é super-herói nem superfracassado. A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza. Não há nada de errado nisso. Hoje, as pessoas estão questionando o Lula em parte porque acreditavam que ele fosse mudar suas vidas e se decepcionaram. A crise será positiva se elas entenderem que a responsabilidade pela própria vida é delas.

Istoé - É comum colocar a culpa nos outros?
 
Roberto Shinyashiki:
 
Sim. Há uma tendência a reclamar, dar desculpas e acusar alguém. Eu vejo as pessoas escondendo suas humanidades. Todas as empresas definem uma meta de crescimento no começo do ano. O presidente estabelece que a meta é crescer 15%, mas, se perguntar a ele em que está baseada essa expectativa, ele não vai saber responder. Ele estabelece um valor aleatoriamente, os diretores fingem que é factível e os vendedores já partem do princípio de que a meta não será cumprida e passam a buscar explicações para, no final do ano, justificar. A maioria das metas estabelecidas no Brasil não leva em conta a evolução do setor. É uma chutação total.

Istoé - Muitas pessoas acham que é fácil para o Roberto Shinyashiki dizer essas coisas, já que ele é bem-sucedido. O senhor tem defeitos?
 
Roberto Shinyashiki:
 
Tenho minhas angústias e inseguranças. Mas aceitá-las faz minha vida fluir facilmente. Há várias coisas que eu queria e não consegui. Jogar na Seleção Brasileira, tocar nos Beatles (risos). Meu filho mais velho nasceu com uma doença cerebral e hoje tem 25 anos. Com uma criança especial, eu aprendi que ou eu a amo do jeito que ela é ou vou massacrá-la o resto da vida para ser o filho que eu gostaria que fosse. Quando olho para trás, vejo que 60% das coisas que fiz deram certo. O resto foram apostas e erros. Dia desses apostei na edição de um livro que não deu certo. Um amigão me perguntou: “Quem decidiu publicar esse livro?” Eu respondi que tinha sido eu. O erro foi meu. Não preciso mentir. 
 
Istoé - Como as pessoas podem se livrar dessa tirania da aparência?
 
Roberto Shinyashiki:
 
O primeiro passo é pensar nas coisas que fazem as pessoas cederem a essa tirania e tentar evitá-las. São três fraquezas. A primeira é precisar de aplauso, a segunda é precisar se sentir amada e a terceira é buscar segurança. Os Beatles foram recusados por gravadoras e nem por isso desistiram. Hoje, o erro das escolas de música é definir o estilo do aluno. Elas ensinam a tocar como o Steve Vai, o B. B. King ou o Keith Richards. Os MBAs têm o mesmo problema: ensinam os alunos a serem covers do Bill Gates. O que as escolas deveriam fazer é ajudar o aluno a desenvolver suas próprias potencialidades.

Istoé - Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus? 
 
Roberto Shinyashiki:
 
A sociedade quer definir o que é certo. São quatro loucuras da sociedade. A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se ele não tivesse significados individuais. A segunda loucura é: “Você tem de estar feliz todos os dias.” A terceira é: “Você tem que comprar tudo o que puder.” O resultado é esse consumismo absurdo. Por fim, a quarta loucura: “Você tem de fazer as coisas do jeito certo.” Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade. Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento. Você precisa ser feliz tomando sorvete, levando os filhos para brincar.
 
Istoé - O sr. visita mestres na Índia com frequência. Há alguma parábola que o sr. aprendeu com eles que o ajude a agir?
 
Roberto Shinyashiki:
 
Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico pela camisa e diz: “Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora eu quero ser feliz.” Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas. Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis. 
 
Uma história que aprendi na Índia me ensinou muito. O sujeito fugia de um urso e caiu em um barranco. Conseguiu se pendurar em algumas raízes. O urso tentava pegá-lo. Embaixo, onças pulavam para agarrar seu pé. No maior sufoco, o sujeito olha para o lado e vê um arbusto com um morango. Ele pega o morango, admira sua beleza e o saboreia. Cada vez mais nós temos ursos e onças à nossa volta. Mas é preciso comer os morangos.

Fonte: Istoé

1 de set. de 2012

A arte de pastorear gatos

No mundo maravilhoso da gestão empresarial, certos conceitos concorrem ao prêmio de mais falado e menos praticado: planejamento estratégico é um deles. Há 20 anos a prática foi considerada moribunda, vítima das turbulências globalizantes. Sobreviveu como artefato corporativo, com alguma pompa e pouca utilidade. Em muitas empresas, o planejamento estratégico não é mais do que o prosaico orçamento ostentando um nome mais sofisticado.

Mas o mundo empresarial gira e novos conceitos surgem. Na década de 2000, ganhou popularidade entre especialistas o termo “estratégias emergentes”, rótulo para as múltiplas ações e decisões em todos os níveis da organização. Mais do que grandes planos, que raramente viam a luz do dia, é a soma das pequenas ações e decisões o realmente importante e determinante no curso das coisas.

Agora, acompanhando o modismo das mídias sociais, surge o termo “estratégia social”. Matéria publicada recentemente na revista McKinsey Quarterly trata do curioso fenômeno.

O ponto de partida é que a definição da estratégia da empresa frequentemente sofre com o distanciamento entre os planejadores e os executores. Do alto de suas torres, isolados da vida real, diretores de empresa frequentemente perdem a sensibilidade para questões da linha de frente.

Com isso, as estratégias por eles definidas contêm ­lacunas, não são abraçadas pelos executores no meio e na base da pirâmide. Naturalmente, isso pode comprometer o desempenho da empresa. Diante do desafio, a resposta apontada pelos autores Arne Gast e Michele Zanini é trazer para o processo as perspectivas e informações da linha de frente, por meio do uso de tecnologias sociais. Tal condição garante, segundo os autores, o aumento da transparência e da participação, e um processo de escrutínio e exame de ideias.

O artigo traz exemplos de empresas que estão empregando tal modelo. A HLC Technologies, uma provedora de serviços de desenvolvimento de software, cresceu rapidamente. A nova condição levou ao redesenho do processo estratégico. Os diretores da empresa perceberam que não conseguiam mais dar conta do conhecimento detalhado que cada unidade de negócios demandava. A resposta foi um processo com ampla participação dos funcionários e um sistema de aperfeiçoamento por pares. O tradicional workshop de estratégia foi substituído por uma plataforma online para a participação de milhares de colaboradores. A transparência ajudou a melhorar a qualidade das sugestões. O produto foi um trabalho mais prático, com maior chance de ser aplicado.

Um processo similar ocorreu na conhecida 3M. Em 2009, a empresa decidiu aperfeiçoar seu processo de construção da visão do futuro, etapa inicial do planejamento estratégico. Originalmente, o processo era baseado em uma análise de megatendências, conduzida por especialistas. O novo modelo envolveu todo o pessoal de vendas, marketing e pesquisa & desenvolvimento, por meio de uma plataforma eletrônica. Com isso, participaram do processo 1,2 mil profissionais de mais de 40 países, gerando mais de 700 ideias consolidadas em nove novos mercados a ser explorados pela companhia.

Muitas empresas enfrentam dificuldades com o alinhamento e a execução estratégicos. Gerenciar grandes organizações é como pastorear gatos. Por mais que se esforce para fixar uma direção e comunicá-la, os bichanos raramente resignam-se aos comportamentos previstos.

O resultado frequente é uma “soma zero” que faz com que os movimentos da organização sejam restritos pela inércia. O fenômeno pode ser observado em grandes empresas privadas, inclusive renomadas multinacionais, em organizações públicas, nas quais os gatos são particularmente manhosos e estridentes, e em organizações sociais, nas quais todos os gatos parecem ter opiniões definitivas sobre todos os assuntos.

O aumento do nível de transparência e do nível de participação traz, supostamente, vantagens importantes: enriquece o processo, faz com que os profissionais entendam melhor o seu papel e aumenta o grau de comprometimento com a execução. Entretanto, não é um processo simples nem tranquilo. E pode despertar atitudes resistentes dos mestres planejadores, ciosos da liturgia do poder.

Para executivos no topo da pirâmide, adotar tal modelo de condução estratégica significa utilizar a autoridade pessoal para distribuir poder. Conforme sugerem Gast e Zanini, trata-se de uma mudança relevante de papel, de supertomadores de decisão para arquitetos sociais. O que, obviamente, implica confiar na maturidade e na preparação dos funcionários, especialmente da média gerência.

Fonte: Carta Capital


26 de nov. de 2011

Dez grandes invensões que mudarão o mundo

1. Petróleo criado em laboratório: o novo ouro negro


"Petróleo 2.0". Assim é conhecida a iniciativa da empresa LS9 cujos cientistas alteraram os genes de microorganismos para que excretem petróleo cru. Trata-se de bactérias com DNA alterado para que gerem este composto, o qual é ligeiramente diferente dos ácidos graxos produzidos normalmente por estes organismos. É uma fonte renovável de combustível, motivo pelo qual os planos da empresa incluem uma fábrica comercial já em 2011.

De forma similar, a empresa espanhola Bio Fuel System também criou um petróleo biológico e renovável. Neste caso, utilizam células de microalgas marinhas que se alimentam com luz solar, CO2, fósforo e nitrogênio. Em cilindros de três metros de altura, concentram-se a razão de 200 milhões por centímetro cúbico dividindo-se constantemente e gerando uma biomassa similar à que há 200 milhões de anos deu origem ao petróleo. A diferença do petróleo cru normal é que esta versão não tem enxofre nem metais pesados ou cor negra. BFS já tem várias plantas de produção deste "biopetróleo" e a meta futura é começar a instalar centrais termoelétricas que forneçam eletricidade a 3 mil moradias a cada uma.

2. Uma hora entre São Paulo e Tóquio


O jato mais veloz - o avião espião SR-71- atinge uma velocidade de Mach 3.3. Mas a nova geração de motores scramjet promete romper todas as barreiras de velocidade, com marcas desde sete vezes (Mach 7) a 18 vezes a velocidade do som. A tecnologia destes motores permite que o ar seja comprimido e esquentado antes de ser misturado com o hidrogênio. Esta combustão gera um impulso sumamente potente e deixa somente um rastro de vapor de água.

Com Mach 8, uma viagem entre São Paulo e Tóquio levaria apenas 70 minutos. Em dezembro, a Nasa realizará a primeira prova do X-51A, desenvolvido junto a Boeing e que voará a Mach 5. A agência espacial dosa EUA desenvolve outro projeto com a empresa Virgin Galactic, motivo pelo qual se espera que os primeiros modelos comerciais capazes de levar satélites à órbita terrestre comecem a operar em 2015, enquanto os modelos para seis ou 10 passageiros iniciarão seus vôos em 2020. A Rússia e sua companhia estatal UABC já planejam o primeiro modelo de 200 passageiros, que viajará entre Moscou e Nova Iorque em 45 minutos.

3. Um mundo sem cabos nem tomadas


Parece um sonho. Um mundo sem cabos nem tomadas, sem baterias nem pilhas. É o que estão desenvolvendo a passos largos os pesquisadores do MIT e que poderia começar a ser usado dentro de um ou dois anos. A ideia é que as paredes de uma casa contenham partículas de carbono e um sistema condutor, que lhe permita agir como uma antena eletromagnética, que traspasse através do ar a energia necessária para manter carregados todos os artefatos: celular, notebook, televisor, lustres. As economias serão consideráveis para o ser humano e o meio ambiente: só em pilhas se produzem 40 bilhões de unidades ao ano no mundo. Mais ainda, poderá massificar o uso do carro elétrico, que se recarregará enquanto se encontra estacionado em casa.

4. Um olho biônico que devolverá a vista aos cegos


Um olho biônico que promete devolver a visão aos cegos. Isso é o que está sendo desenvolvido pela empresa Second Sight, cujo modelo Argus II obteve resultados surpreendentemente positivos. Um exemplo é um inglês de 73 anos, que perdeu sua visão quando tinha 30 e que se submeteu ao implante experimental. Depois de sete meses, agora pode ver lampejos de luz que lhe permitem reconhecer formas, por exemplo, esquivar de obstáculos.

Argus II usa uma câmera e um processador de vídeo montados em óculos de sol, que captam as imagens e as enviam a um diminuto receptor localizado na lateral do olho. Este, por sua vez, manda os dados através de um pequeno cabo a uma série de eletrodos instalados na retina. Quando estes eletrodos são estimulados, emitem mensagens ao nervo óptico do cérebro, que percebe os padrões de luz e escuridão. Até agora, 18 pacientes testaram o olho biônico e estima-se que poderia estar disponível comercialmente em 2010 a um preço de várias dezenas de milhares de dólares.

5. Carros que dirigem sozinhos



A vista e o ouvido são imprescindíveis para um motorista à hora de determinar se outro veículo está bem perto ou se há suficiente espaço para estacionar. Mas este panorama está mudando graças ao projeto IntelliDrive, nos EUA, que já está testando vários protótipos dotados com sensores que detectam os sinais ambientais. Graças a isto, o veículo pode alertar o motorista se o asfalto está molhado, se há nevoeiro no caminho, se o carro que o antecede está se movendo de forma errática ou se não respeitou o farol vermelho.

Um passo além é o que dará a General Motors. Seu modelo Baús tem tecnologia GPS, radar e sistemas de guia por laser para reconhecer uma determinada rota: o motorista pode dormir enquanto o auto conduz sozinho. Estarão à venda em 2018.

6. O corpo poderá recuperar seus próprios tecidos



Na última semana de setembro, no encontro mundial sobre Células Mãe, em Baltimore, a doutora Jennifer Elisseeff, da Universidade Johns Hopkins, descreveu um método para curar os tecidos dos pacientes que se demonstra a cada vez mais bem-sucedido. Trata-se de usar uma malha de um polímero biodegradável impregnado em nutrientes, que age como um chamariz para atrair às células mãe geradas pelo próprio organismo. Estas se agrupam na zona atingida e reconstroem o tecido. Isto é, se faltar cartilagem em uma articulação afetada pela artrose, as células mãe se acumularão ali e produzirão nova cartilagem. Se um osso está fraturado, as células mãe vão curá-lo de forma acelerada. No caso de um infarto cardíaco, o tecido morto é recuperado permitindo manter o órgão saudável por muito tempo. O sucesso destes provas levaram o Departamento de Defesa dos EUA a financiar por outros cinco anos de pesquisas.

7. Falar em português e que nos escutem em inglês


De forma similar à tecnologia que mostrava a série Star Trek, hoje já é possível falar em um idioma e deixar que um dispositivo se encarregue de traduzir em tempo real o que responde a outra pessoa em francês, alemão ou inglês. Existem mais de 20 sistemas comerciais de tradução e um dos mais avançados é o MASTOR, da IBM. A empresa doou mais de 1.000 equipamentos dotadas com este software ao exército dos EUA no Iraque, que funciona como um intérprete humano: a pessoa fala em inglês e seu interlocutor escuta-o em árabe. Outro projeto mais ambicioso, chamado "Exploração da Linguagem Autônoma Global", é desenvolvido pelo Departamento de Defesa dos EUA e busca ter em cinco anos um sistema de tradução em tempo real com uma precisão de 95% (o atual é de 80%).

8. Uma sociedade sem viciados


O uso de uma vacina para superar a dependência da cocaína tem entusiasmados os pesquisadores da Universidade de Yale, nos EUA, onde 38% dos viciados que tomaram a vacina deixaram de sentir prazer ao aspirar a droga. Agora buscam dar mais potência à vacina, que age recobrindo as moléculas da droga e impedindo a estimulação do cérebro.

Em 2011 poderá já estar a venda uma outra vacina, desta vez para o maior dos vícios na vida moderna: a nicotina. Espera-se que esta substância permitirá que os viciados deixem de fumar com facilidade, já que a nicotina é o único componente viciante do fumo. São quatro doses, cujo preço estimado de 2 mil dólares (3500 reais) poderia ser um obstáculo para seu uso.

Paralelamente e utilizando o mesmo princípio, cientistas da Rússia e China encontram-se trabalhando em uma vacina que permitirá combater o vício à morfina e à heroína que causam estragos nesses países.

9. Indústrias que transforma a contaminação em novos compostos


Trata-se de um material desenhado pela Universidade de Twente, na Holanda, que contém dióxido de titânio, um químico capaz de catalisar várias reações químicas quando exposto à luz. Ao usá-lo para pavimentar estradas, esta mistura ajuda a depurar o ar, já que "engole" as partículas de óxido de nitrogênio que escapam dos escapamentos dos veículos. Esta substância é um dos principais contaminantes que produz chuva ácida. O novo concreto ecológico está sendo testado em uma estrada da província de Overijssel, antes de estender seu uso ao resto do país. Outra iniciativa da Holanda e Canadá consiste em instalar plantas industriais em zonas com alta contaminação por CO2, com o fim de sequestrar este gás e injetá-lo sob a terra, em solos porosos e ricos em carvão. Ali, o CO2 combinaria para produzir compostos como amônia e metanol, que poderiam ser reutilizados.

10. Imagens que saem da tela


Imagine estar sentado em frente a seu televisor e ver o Ronaldo Bolômeno correndo na sua sala, ou a Patrícia Poeta conversando no seu quarto. Isso é o que promete a televisão holográfica que está sendo desenvolvida por várias instituições como a Universidade do Arizona. Estes aparelhos serão possivelmente fabricados como telas planas em uma parede. Também poderiam criar painéis horizontais em uma mesa capaz de gerar imagens similares àquele xadrez que aparecia em Star Wars. O governo japonês está investindo altas somas de dinheiro e recursos técnicos no desenvolvimento de sistemas virtuais e holográficos para a televisão, motivo pelo qual esperam ter a tecnologia disponível em 2020.


Fonte e Fotos: Metamorfose Digital

31 de ago. de 2011

Slow Down

 Texto recebido por e-mail. 
Não sei se realmente este funcionário da Volvo existe, mas o conteúdo na mensagem é que vale a pena ler.
***

Já vai para 16 anos que estou aqui na Volvo, uma empresa sueca. Trabalhar com eles é uma convivência, no mínimo, interessante. Qualquer projeto aqui demora dois anos para se concretizar, mesmo que a idéia seja brilhante e simples. É regra! Então, nos processos globais, nós (brasileiros, americanos, australianos, asiáticos) ficamos aflitos por resultados imediatos, uma ansiedade generalizada. Porém, nosso senso de urgência não surte qualquer efeito neste prazo.

Os suecos discutem, discutem, fazem ‘n’ reuniões, ponderações. E trabalham num esquema bem mais ‘slow down’. O pior é constatar que, no final, acaba sempre dando certo no tempo deles com a maturidade da tecnologia e da necessidade: bem pouco se perde aqui.

E vejo assim:

1. O país é do tamanho de São Paulo;
2. O país tem 2 milhões de habitantes;
3. Sua maior cidade, Estocolmo, tem 500.000 habitantes (compare com Curitiba, que tem 2 milhões);
4. Empresas de capital sueco: Volvo, Scania, Ericsson, Electrolux, ABB, Nokia, Nobel Biocare.. Nada mal, não?
5. Para ter uma idéia, a Volvo fabrica os motores propulsores para os foguetes da NASA.

Digo para os demais nestes nossos grupos globais: os suecos podem estar errados, mas são eles que pagam muitos dos nossos salários. Entretanto, vale salientar que não conheço um povo, como povo mesmo, que tenha mais cultura coletiva do que eles. Vou contar para vocês uma breve história só para dar noção.

A primeira vez que fui para lá, em 1990, um dos colegas suecos me pegava no hotel toda manhã. Era setembro, frio, nevasca. Chegávamos cedo na Volvo e ele estacionava o carro bem longe da porta de entrada (são 2.000 funcionários de carro). No primeiro dia não disse nada, no segundo, no terceiro… Depois, com um pouco mais de intimidade, numa manhã, perguntei:

“Você tem lugar demarcado para estacionar aqui? Notei que chegamos cedo, o estacionamento vazio e você deixa o carro lá no final.” Ele me respondeu simples assim: “É que chegamos cedo, então temos tempo de caminhar – quem chegar mais tarde já vai estar atrasado, melhor que fique mais perto da porta. Você não acha?”. Olha a minha cara! Ainda bem que levei esta logo na primeira. Deu para rever bastante os meus conceitos dali para frente…

Há um grande movimento na Europa hoje, chamado Slow Food. A Slow Food International Association – cujo símbolo é um caracol. O que o movimento Slow Food prega é que as pessoas devem comer e beber devagar, saboreando os alimentos, ‘curtindo’ seu preparo, no convívio com a família, com amigos, sem pressa e com qualidade. A idéia é a de se contrapor ao espírito do Fast Food e o que ele representa como estilo de vida em que o americano endeusificou.

A surpresa, porém, é que esse movimento do Slow Food está servindo de base para um movimento mais amplo chamado Slow Europe como salientou a revista Business Week numa edição européia. A base de tudo está no questionamento da ‘pressa’ e da ‘loucura’ gerada pela globalização, pelo apelo à ‘quantidade do ter’ em contraposição à qualidade de vida ou à ‘qualidade do ser’.

Segundo a Business Week, os trabalhadores franceses, embora trabalhem menos horas (35 horas por semana) são mais produtivos que seus colegas americanos ou ingleses. E os alemães, que em muitas empresas instituíram uma semana de 28,8 horas de trabalho, viram sua produtividade crescer nada menos que 20%. 

Essa chamada ‘slow atitude’ está chamando a atenção até dos americanos, apologistas do ‘Fast’ (rápido) e do ‘Do it now’ (faça já ). Portanto, essa ‘atitude sem-pressa’ não significa fazer menos, nem ter menor produtividade. Significa, sim, fazer as coisas e trabalhar com mais ‘qualidade’ e ‘produtividade’ com maior perfeição, atenção aos detalhes e com menos ‘stress’.

Significa retomar os valores da família, dos amigos, do tempo livre, do lazer, das pequenas comunidades, do ‘local’, presente e concreto em contraposição ao ‘global’ ,indefinido e anônimo.

Significa a retomada dos valores essenciais do ser humano, dos pequenos prazeres do cotidiano, da simplicidade de viver e conviver e até da religião e da fé.

Significa um ambiente de trabalho menos coercitivo, mais alegre, mais ‘leve’ e, portanto, mais produtivos onde seres humanos, felizes, fazem com prazer, o que sabem fazer de melhor.

Será que os velhos ditados ‘Devagar se vai ao longe’ ou ainda ‘A pressa é inimiga da perfeição’ não merecem novamente nossa atenção nestes tempos de desenfreada loucura?

Será que nossas empresas não deveriam também pensar em programas sérios de ‘qualidade sem-pressa’ até para aumentar a produtividade e qualidade de nossos produtos e serviços sem a necessária perda da ‘qualidade do ser’?

No filme ‘Perfume de Mulher’, há uma cena inesquecível, em que um personagem cego, vivido por Al Pacino, tira uma moça para dançar e elar esponde: “Não posso, porque meu noivo vai chegar em poucos minutos.” E ele, conduzindo-a num passo de tang, responde: “Mas em um só segundo se vive uma vida”.

Algumas pessoas vivem correndo atrás do tempo, mas parece que só alcançam quando morrem enfartados, ou algo assim. Para outros, o tempo demora a passar; ficam ansiosos com o futuro e se esquecem de viver o presente, que é o único tempo que existe.

Tempo todo mundo tem, por igual! Ninguém tem mais nem menos que 24 horas por dia. A diferença é o que cada um faz do seu tempo. Precisamos saber aproveitar cada momento, porque, como disse John Lennon:

“A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro”…

 Foto: Parada para o lanche no arranha-céu, de Paolo Pepe